quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fim de férias!

Hoje a trilha sonora é essa aqui...

É, faltam apenas alguns dias para que eu, mais uma vez, retorne à Curitiba.
Minhas férias? Foram BEM menos do que eu esperava; mas consegui descansar, ver minha família, ficar com meus sobrinhos queridos, e isso relativamente me satisfaz.

Hoje eu fiquei me perguntando por quanto tempo ainda terei essa sensação de que 'falta algo'... falta algo em minha vida. Há alguns anos eu sinto isso. 
Eu tive a melhor adolêscencia que alguém poderia ter. Fiz tudo que eu tive vontade; claro que eu não tinha grandes sonhos nessa época, mas tudo que eu quis eu consegui. Foi uma época TÃO boa, que torna-se impossível me sentir completamente feliz depois de ter vivido aquilo....

Nessas férias eu provei um pouquinho daquela adolescência. Mas infelizmente acabou-se tão rápido quanto começou. Durou apenas uma noite. Talvez quando eu ler isso daqui alguns anos, eu me lembre da situação, talvez não, mas sinceramente, a história 'dessa' noite, eu prefiro não escrever nesse diário... E eu realmente espero esquece-la.

O que eu não consigo aceitar é tornar-me adulta. Perder a inocência. Ganhar responsabilidades, GRANDES responsabilidades. Mas acho que o que eu mais sinto falta é a inocência. 
Lembro-me que com 15 anos eu andava pela rua 2h, 3h da manhã, as vezes até sozinha, sem medo algum, nem sequer apreensiva eu ficava! E hoje? Prefiro nem comentar... Isso é neura, ou é 'perda da inocência'?? Hoje parece que eu vejo perigo nos lugares, nas atitudes. Hoje eu aprendi a desconfiar. Na adolescência eu amava tão facilmente, eu confiava tão facilmente....

O que aconteceu comigo nessas férias? Eu percebi que alguns dos meus velhos, e BONS, amigos mudaram tanto. Esses meus 2 anos e meio em Curitiba me tirou grande contato com a maioria deles... e eu tenho a lembrança antiga de suas personalidades, seus desejos... e ao reencontra-los chega a ser frustrante observar como seus sonhos e seus comportamentos mudaram. É como se eu tivesse conhecendo novas pessoas. Não que elas não gostem de mim, mas a vida nos levou a caminhos tão diferentes que uma simples reflexão me mostra que ja não temos mais nada em comum... e me dá saudade daqueles BONS amigos que eu tive.
Lembro-me de sentar na calçada de casa, e ficar conversando horas com alguns amigos, e era tão simples... tão cheio de inocência. Agora, o que sabemos falar é sobre nosso futuro, nossas poupanças, empreendimentos, contas, e até dos filhos... 

Nessas férias eu perdi algumas coisas também.
Perdi a confiança num grande amor, no maior amor da minha vida. E a confiança é algo tão difícil de se alcançar. O amor não pode ser tirado do coração [ou da mente?] de uma hora para outra... mas ele pode se modificar, e a chama que queimava pode esfriar....

Perdi uma outra pessoa... Alguém que decididamente, se existe mesmo outra vida, deveria ser minha irmã. A minha amiga Karine voltou pra cidade dela. E mesmo que nós somente nos falássemos nas férias, e ainda assim não nos falassemos todos os dias, saber que ela não está mais aqui pertinho de casa dói demais. Eu vivi e dividi com ela histórias inesquecíveis. Nós dividimos segredos incontáveis, e é difícil saber que não terei mais aquela amiga para me abraçar sempre que eu precisar. É difícil saber que eu não tenho mais ninguém para contar frustrações que eu tenho vergonha até de mim mesmo. Sei q a nossa amizade não vai esfriar, mas a presença física dela me fará muita falta. =(

No fim das contas, o principal motivo que eu to escrevendo aqui, é porque acho que ja to com uma saudade antecipada sabe? De ouvir um 'TITIA ANINE' seguido de um pulo no colo com um abraço apertado... Ou então, de estar no quarto e ouvir: "Vovó, cadê a titia anine". Ou de ouvir um 'Dorme com Deus, filha', e até um 'Não vai dar bença pra mãe?'... saudade de ouvir um 'Mas a titia anine ainda é adolescente' hahahahaha Saudade do Tião [o cachorrinho da minha irmã] e até do velho Bóris!

É dificil partir mais uma vez, e deixar toda a minha VIDA aqui pra trás... mais uma vez! Ir mais um ano à luta, à uma luta diária onde o relógio insiste em girar devagar. Uma luta que as vezes parece não ter fim...

E mais uma vez eu vou embora de casa... e a dor parece como na primeira vez; ou é até pior, porque agora eu sei como é lá.

Hoje estou com saudades. Saudades de quem eu fui no passado. Hoje eu estou com saudades de casa, com saudades da minha vida....