sábado, 3 de agosto de 2013

Uma longa viagem!



Por cada noite sem dormir, cada dia que passou
Por cada vez, cada vez que me senti assim
Pela grana que eu gastei, pelo tempo que perdi
Que foi em vão, e eu fiquei sem ter pra onde ir

Cada briga sem razão, cada verso sem refrão
Você virou as costas pra quem te era bom
Mas não vou ficar aqui me lamentando com você
Essa é a última vez que faço essa ligação
Escute bem porque

Quando eu desligar
Você não vai saber mais nada sobre mim
Chegamos ao fim, o ultimo alô
É na verdade um adeus
Esqueça aqueles planos
Eles não são mais seus

Por cada hora que passou
E as mentiras que contou
Por alguém que talvez deixei de conhecer
Pelas cartas que escrevi
Pra marcar o que hoje quero esquecer

Cada briga sem razão, cada verso sem refrão
Você virou as costa pra que te queria bem
Mas não vou ficar aqui me lamentando com você
Essa é a ultima vez que faço essa ligação
Escute bem porque

Pra você o amanhã nunca existiu
Esqueceu tudo o que vivemos ontem
Jogou fora dias meses e lembranças
Nosso tempo você disperdiçou
Não há mais nada a fazer

Saí pra andar em Curitiba hoje. Dei uma volta de umas 3 horas pela cidade, fui em vários parques.
E essa música passou na rádio... e ela foi a gota d'agua pra eu começar a chorar.

Cansei de ser forte. Aguentei até aqui... reclamando um pouco, é claro, mas estive firme. Hoje tudo caiu novamente, e parece que foi ontem que eu voltei pra 'grande vida de solteira'. Parece que foi ontem.

Hoje eu vi tanta gente junta, pessoas rindo, brincando. E parece que os casais me perseguiram hoje. Parecia que só tinham casais apaixonados na rua hoje.
E eu fiquei me perguntando o que eu fiz pra estar tão sozinha num dia tão lindo em Curitiba.
Sabe quando você não tem ninguém pra ligar? Sabe quando teu telefone não toca nem pra te cobrarem? Pois é, meus dias tem sido assim.

Me sinto sozinha demais aqui. Quero ver se me mudo até, vou alugar um quarto na casa de alguém, pelo menos saberei que não estou fisicamente só.
Hoje foi e está sendo mais um dia de dor. De saudade. De vontade de acordar desse pesadelo.
Hoje eu queria sair, mas não sei se consigo ver tanta gente sorrindo, e eu me sentindo tão sozinha, de novo.


Uma viagem...
As vezes eu sinto que eu entrei num trem... há quase 4 anos atrás.

Eu estava andando por uma grande estação... já havia viajado por vários lugares, e tinha uma plataforma, que me levaria à um lugar que eu não sabia onde ia dar. Eu já tinha passado por ali antes, mas nunca cheguei ao destino final, nunca cheguei até o fim para ver o que poderia acontecer.No passado, quando eu peguei o trem na mesma plataforma, ele quebrou logo no inicio da viagem... nem tava rápido ainda. E eu tive que descer. E voltei andando pelas pedrinhas que ficam em volta dos trilhos... Era longe, mas nem tanto assim. Mas era frio, e era escuro. E eu estava sozinha. E tive fome, e tive medo, e fiquei triste, porque queria que o trem tivesse continuado, queria continuar dentro do trem.

Mas consegui, voltei a plataforma, e as feridinhas da viagem cicatrizaram.
E viajei para vários lugares. Conheci muitas pessoas...

E um belo (belo?) dia, me deparei com o aquele trem parado naquela mesma plataforma antiga, com o mesmo destino que tinha antes. Acreditei que o trem tivesse sido consertado, e que não tivesse mais os problemas que tinha antes. A carga que tinha nesse trem era muito maior que no passado, mas isso talvez significasse que esse trem estivesse mais forte, fosse um trem melhor.
E eu embarquei nessa viagem.

O destino era longe ainda. E eu aproveitei cada segundo, cada detalhe, cada nascer e pôr do sol. Aproveitei cada música, cada cheiro.A viagem estava ótima, eu estava tão feliz. E o trem apresentou grandes problemas no meio do caminho... paramos algumas vezes para manutenção. Mas eu sempre acreditei que quando chegassemos ao destino, valeria a pena cada noite mal dormida, cada gota de sofrimento daquela viagem. Eu fiz planos pro destino, eu acreditava que aquela seria a última viagem da minha vida, e que meu destino seria a felicidade, o amor...

E um dia, nós estávamos viajando em alta velocidade, num morro tão alto... conseguíamos ver as nuvens bem de pertinho... eu estava próxima aos vidros... , de repente, sem explicação o trem freou! E eu fui arremessada... sem proteção, morro abaixo.
Eu fui expulsa daquela viagem, da maneira mais agressiva que um passageiro poderia descer. O trem parou, e fui arremessada à planície... rolando morro abaixo. Isso me trouxe tantas feridas... Machucou meu corpo inteiro, cada pedacinho de mim ficou sangrando... Por muitas vezes acreditei que tivesse morrido, acreditei que não havia mais salvação.

Eu estava ali, sozinha, completamente sozinha, num mundo que eu desconhecia naquele momento! Queria voltar ao trem... queria continuar a viagem. Mas não tinha como subir o morro, mas eu não tinha forças, e talvez quando eu chegasse lá, era possível que o trem já tivesse partido...

E dessa vez eu estava longe da estação. Dessa vez eu não sabia se conseguiria voltar... e eu pensei em morrer, pensei em desistir de tudo, pensei em esperar a vida deixar meu corpo.
Passaram-se dias e noites... longas noites, frias, escuras... muito piores do que as do passado. E monstros vieram me atormentar, em pesadelos....

Logo souberam do acidente com trem, e foram me procurar. Meus amigos e meus familiares me encontraram, e me forneceram ajuda. Mas eu estava tão fraca, que era impossível me tirar daquele lugar...

O que eles fizeram foi limpar um pouco das minhas feridas, que eram grandes, e demorariam muito para cicatrizar. Eles ouviram toda a história da minha viagem. De tudo que tinha acontecido. E me abraçaram, e me fizeram companhia, 24h por dia, e secaram minhas lagrimas, e enfim conseguiram me levantar.

E começamos a andar pela estrada, pelo caminho de volta a plataforma.
Alguns tinham seus afazeres, e revezavam uns com os outros. Percebi que muitas outras pessoas se aproximaram. Algumas só me ouviram, outras choraram comigo. Outras tentaram me fazer acreditar que havia outras plataformas, e viagens muito mais divertidas do que aquela que eu estava, que me levariam para o destino que eu tanto queria chegar. Algumas até me disseram que eu me enganei quanto ao destino... que aquele trem estava permanentemente quebrado, e que nunca ia chegar onde eu queria.

E já tem 2 meses que eu estou no caminho de volta pra estação...
Conheci algumas pessoas nesse caminho, mas sei que estou muito longe de chegar de volta à estação.
Adoeci algumas vezes durante a caminhada, e tivemos que parar algumas vezes.

Estou doente hoje. Com saudades do trem. Saudades dos sonhos que eu tinha quando chegasse ao meu destino.

Essa noite será fria, talvez com monstros, com pesadelos. E eu estou sozinha nesse noite, completamente sozinha. E minhas feridas estão doendo. Queria voltar para o trem. Ao menos saber se ele já foi consertado, e já alcançou seu destino, ou quem sabe outra pessoa embarcou neste trem, e está sonhando como eu estava. Essa noite vou me enrolar, me proteger, pra ganhar forçar e continuar tentando chegar a estação... quem sabe eu encontre um trem que me leve onde eu sempre quis chegar.

Boa Noite!


2 comentários:

Zenilde Carmo disse...

Pode ser que a verdadeira viagem nem seja de trem. O que tiver que ser será. Enquanto isso vai juntando material para um belo livro. Melhor fazer limonada para aproveitar os limões recebidos. Beijos!!!

Angela disse...

Aline esse texto ficou muito bom! É como se eu estivesse ouvindo a história da minha vida, de 3 anos atrás! Meu celular também não tocava, nem a operadora me mandava mensagem! Comecei a pensar na teoria da conspiração contra mim! E comecei a deixar meu celular dentro de uma gaveta, eu só olharia ele caso precisasse de algo que estava na gaveta! Era minha desculpa, mas não funcionava, tive que tomar medidas mais drásticas! Dai troquei de celular, troquei de número, então eu sabia que verdadeiramente "NINGUÉM" me ligaria, porque o Senhor Ninguém não tinha meu número novo rs. Quando o trem que eu embarquei descarrilhou, me senti igual a você, por mais que nossos amigos e familiares quisessem salvar nossas vidas, não podiam mexer na gente, como se estivéssemos naqueles acidentes em que as pessoas ficam presas nas ferragens sabe? Não se pode tocar, não podem tentar arrancar ela dali porque pode piorar rs Mas quando eu consegui sair, levei 2 anos pra chegar a estação de volta! Peguei o caminho mais longo, mas difícil e mais escuro que podia! Hoje não entro mais em trens rs, as vezes pego um táxi para ir em lugares mais perto rsrs Como vc disse no "A pedra do meio fio" tbm deixei o romance para os livros e filmes rs
Adorei ler esse texto! Me identifico com a forma como vc se expressa! Eu me sinto como se vivesse no Fantástico Mundo de Bob sabe? Analisando minha vida cada segundo hhahah Eu gosto desse pensamento: "Vivendo? Sim! Dramatizando sobre minha vida? Sempre!! " kkk